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O Cristão e as Crises de Sua Nação

07/04/2016

O Cristão e as Crises de Sua Nação

Vivemos um cenário muito difícil no Brasil. Muitos são os problemas que se arrastam por nossa nação, mas existem hoje duas crises em especial que nos atingem de forma mais cruel: a crise política e a crise econômica.

A operação Lava Jato (investigação em andamento realizada pela Polícia Federal do Brasil, cuja fase ostensiva foi deflagrada em 17 de março de 2014, com o cumprimento de mais de uma centena de mandados de busca e apreensão, de prisão temporária, de prisão preventiva e de condução coercitiva, tendo como objetivo apurar um esquema de lavagem de dinheiro suspeito de movimentar mais de R$ 10 bilhões de reais, podendo ser superior a R$ 40 bilhões, dos quais R$ 10 bilhões em propinas), considerado pela Polícia Federal como a maior investigação de corrupção da história do país, tem apresentado à sociedade uma problemática “nunca antes vista na história desse país”.

Escutas telefônicas, disputas políticas, processo de impeatchment, buscas e apreensões, depoimentos coercitivos, discursos acalorados dentre outros escândalos estão acirrando ainda mais as opiniões e os embates. Como consequência de tudo isso o povo foi para a rua realizar uma série de protestos pacíficos, uns contra outros a favor do governo, mas o que todos querem é o fim da corrupção para o bem do povo.

A questão é tão complexa que é quase impossível prever o desenrolar dos acontecimentos e muito menos o final dessa história, uma vez que a cada dia aparecem fatos novos.

Diante de tudo isso ficam as perguntas: Deve ser o cristão se envolver com tudo isso? Se sim, como então o cristão deve se envolver com os problemas políticos/governamentais de seu país de modo a glorificar a Deus?

Para o cristão essas questões representam desafios não somente do ponto de vista de sua cidadania terrena bem como de sua responsabilidade espiritual.

A Palavra de Deus tem orientações muito interessantes a esse respeito. É preciso compreender que tanto Jesus quanto seus discípulos e outros personagens bíblicos também conviveram com situações problemáticas no campo político em sua época que afetavam diretamente a vida comum das pessoas. No tempo de Jesus, por exemplo, havia uma disputa política muito grande entre o império romano e os Zelotes (grupo rebelde que batalhava pela libertação do império romano).

Jesus mesmo deixou claro que nossa cidadania celestial (para aqueles que estão em Cristo) não retira nossas responsabilidades terrenas. Ou seja, ainda que sejamos cidadãos no céu e vivamos como peregrinos nessa terra desejando nossa pátria celestial, mesmo assim precisamos corresponder com nossas responsabilidades terrenas. Como cidadãos, independente de sermos ou não cristãos, temos direitos e deveres, privilégios e responsabilidades como qualquer outra pessoa.

Pessoalmente não creio que a igreja deva unir-se ao estado, porém a igreja está sujeita ao estado, enquanto este não obriga-la desviar-se das orientações divinas.

Quanto ao envolvimento do cristão com a política de seu país a bíblia nos orienta o seguinte em Romanos 13.1-7:

1.      O CRISTÃO DEVE SUJEITAR-SE ÀS AUTORIDADES GOVERNAMENTAIS. V. 1

2.      O CRISTÃO NÃO DEVE REBELAR-SE COM AS AUTORIDADES GOVERNAMENTAIS. V. 2

3.      O CRISTÃO, ENQUANTO CIDADÃO, DEVE VIVER NA PRATICA DO BEM. V. 3

4.      O CRISTÃO DEVE CUMPRIR SUAS RESPONSABILIDADES TRIBUTÁRIAS. V. 6

I Pedro 2:13-17 corrobora todos os princípios paulinos e ainda acrescenta mais uma responsabilidade:

5.      O CRISTÃO DEVE RESPEITAR SUAS AUTORIDADES GOVERNAMENTAIS. V. 17

Em I Timóteo 2:1-2 mais uma vez o apóstolo Paulo vai tratar o assunto com um enfoque na oração. Daí encontramos mais um princípio fundamental:

6.      O CRISTÃO DEVE INTERCEDER POR SUAS AUTORIDADES GOVERNAMENTAIS. V 1

É com base nesses princípios que devemos pautar nosso envolvimento (seja ele qual for) com os problemas políticos do nosso país. Sendo assim não é incorreto que o cristão participe ativamente das questões políticas de seu país contanto que este não seja incoerente em suas atitudes com os princípios estabelecidos na Palavra de Deus. Enquanto cidadão terreno o cristão é livre para participar de manifestações pacíficas que busquem a justiça e o bem da nação (não necessariamente batalhando por partido A, B ou C), porém, no que diz respeito à sua cidadania celestial o cristão têm a responsabilidade de cumprir as orientações divinas quanto ao seu comportamento bem como de interceder por seus governantes.

Jesus não veio ao mundo para resolver os problemas políticos de sua época (ainda que muitos esperassem isso deles), mas para apontar uma solução para um problema muito maior do ser humano: sua separação da glória de Deus em razão do pecado (Rom 3:23). Muito mais do que a libertação das mazelas terrenas Jesus propõe ao homem a libertação da condenação eterna por meio da fé no seu sacrifício.

Como Sal da Terra e Luz do Mundo temos a responsabilidade de dar continuidade à obra de Cristo na terra. Parte dessa responsabilidade é apontar para as pessoas que, além dos problemas políticos/econômicos existe um problema muito maior que é a escravidão do pecado e a condenação eterna, e que esse problema não será resolvido pela ordem governamental, mas somente através de Cristo Jesus.

Assim, não cabe ao cristão, enquanto cidadão celestial, resolver os problemas políticos de sua época, mas lutar para que, apesar dos problemas governamentais, as pessoas conheçam a Cristo como Senhor e Salvador de suas vidas e tenham a libertação eterna de suas almas da condenação do inferno, sendo este um estado eterno bem pior do que qualquer situação terrena problemática com a qual convivemos hoje.

Pr. Daniel Henrique Abreu Rodrigues – pastor sênior IBBV